sábado, 10 de outubro de 2020

Documentos Históricos – A visão dos Ameríndios com a chegada dos Europeus

             Documentos Históricos – A visão dos Ameríndios com a chegada dos Europeus

           O fragmento de texto abaixo foi retirado de uma obra conhecida como Livro dos livros de Chilam Balam, que reúne manuscritos escritos na língua maia entre os séculos XV e XVI. O trecho narra a chegada dos europeus à América. Não se sabe contudo, se esse texto foi escrito antes (como uma previsão) ou depois do contato com os espanhóis.

   Chegaram os estrangeiros de barbas avermelhadas, os filhos do sol, os homens de pele clara. Ah! Entristecemo-nos porque chegaram! Do Oriente vieram quando chegaram a esta terra os barbudos, os mensageiros do sinal da divindade, os estrangeiros da terra [...] Ah! Entristecemo-nos porque vieram, porque chegaram os grandes amontoadores de pedras [...] os que soltam fogo pela extremidade do braço [...]

Livros dos livros de Chilam Balam. In: Ciências sociales. Madrid: McGraw-Hill, 1996. p. 131.           

Referências:

Livros dos livros de Chilam Balam. In: Ciências sociales. Madrid: McGraw-Hill, 1996. p. 131.

VICENTINO, Cláudio; VICENTINO, José Bruno. Projeto mosaico: história – anos finais (ensino fundamental), 6° ano. 1ª ed. São Paulo: Scipione, 2015. p. 94.

 

Fred Costa

 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Questão do Enem 2018.2 comentada - Brasil Colônia.

 Enem (2018.2) Brasil Colônia

Os próprios senhores de engenho eram uns gulosos de doce e de comidas adocicadas. Houve engenho que ficou com o nome de “Guloso”. E Manuel Tomé de Jesus, no seu Engenho de Noruega, antigo dos Bois, vivia a encomendar doces às doceiras de Santo Antão; vivia a receber presentes de doces de seus compadres. Os bolos feitos em casa pelas negras não chegavam par o gasto

O velho capitão-mor era mesmo que um menino por alfenim e cocada. E como estava sempre hospedando frades e padres no seu casarão de Noruega, tinha o cuidado de conservar em casa uma opulência de doces finos.

(FREYRE, G. Nordeste: aspectos da influência da cana sobre a vida e a paisagem do Nordeste do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985 – adaptado)

O texto relaciona-se a uma prática do Nordeste oitocentista que está vinculada em:

A) Produção familiar de bens para festejar as datas religiosas.
B) Fabricação escrava de alimentos para manter o domínio das elites.
C) Circulação regional de produtos para garantir as trocas metropolitanas.
D) Criação artesanal de iguarias para assegurar as redes de sociabilidade.
E) Comercialização ambulante de quitutes para reproduzir a tradição portuguesa.


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A) Produção familiar de bens para festejar as datas religiosas. No texto da questão não há nenhuma indicação quanto a festas e datas religiosas.
B) Fabricação escrava de alimentos para manter o domínio das elites. O doce não seria um produto tão importante assim pra ser algo que as elites o utilizem e se mantém no poder.
C) Circulação regional de produtos para garantir as trocas metropolitanas. Não há nenhuma indicação de que os doces eram produtos de trocas metropolitanas.
D) Criação artesanal de iguarias para assegurar as redes de sociabilidade. O texto da questão deixa claro o quanto admiram os doces e o mantém em casa para servi-lo aos visitantes.
E) Comercialização ambulante de quitutes para reproduzir a tradição portuguesa. No texto não tem nada que firme a comercialização de doces por ambulantes.


Se você acertou PARABÉNS! Caso contrário espero que os comentários tenham ajudado a entender um pouco mais. Essa questão é fácil de responder pois no texto as respostas estão claramente expostas. Caso queira alguma questão comentada, deixe nos comentários.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Questão do Enem 2013.1 comentada - Brasil Império (Imigrantes)

Enem (2013.1) Imigrantes

Ninguém desconhece a necessidade que todos os fazendeiros têm de aumentar o número de seus trabalhadores. E como até há pouco supriam-se os fazendeiros dos braços necessários? As fazendas eram alimentadas pela aquisição de escravos, sem o menor auxílio pecuniário do governo. Ora, se os fazendeiros se supriam de braços à sua custa, e se é possível obtê-los ainda, posto que de outra qualidade, por que motivo não hão de procurar alcançá-los pela mesma maneira, isto é, à sua custa?

Resposta de Manuel Felizardo de Sousa, diretor geral das Terras Públicas, ao Senador Vergueiro.

O fragmento do discurso dirigido ao parlamentar do Império refere-se às mudanças então em curso no campo brasileiro, que confrontaram o Estado e a elite agrária em torno do objetivo de: 

A) fomentar ações públicas para ocupação das terras do interior.
B) adotar o regime assalariado para proteção da mão de obra estrangeira.
C) definir uma política de subsídio governamental para o fomento da imigração.
D) regulamentar o tráfico interprovincial de cativos para sobrevivência das fazendas.
E) financiar a fixação de famílias camponesas para estímulo da agricultura de subsistência.


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A) fomentar ações públicas para ocupação das terras do interior. Essa alternativa não poderia ser, pois assim os fazendeiros perderiam trabalhadores e terras.
B) adotar o regime assalariado para proteção da mão de obra estrangeira. Não há nenhum elemento do texto que faz crer sobre regime assalariado.
C) definir uma política de subsídio governamental para o fomento da imigração. Os fazendeiros pressionaram o governo Imperial para que fornecessem subsídios para trazer imigrantes europeus trabalharem em suas fazendas.
D) regulamentar o tráfico interprovincial de cativos para sobrevivência das fazendas. No texto da pergunte inexiste elementos para se chegar a essa conclusão
E) financiar a fixação de famílias camponesas para estímulo da agricultura de subsistência. Não seria coerente os fazendeiros incentivar a agricultura de subsistência ao invés de trabalharem em suas terras. 


Se você acertou PARABÉNS! Caso contrário espero que os comentários tenham ajudado a entender um pouco mais. Essa questão pode complicar, confundir o candidato ao interpretá-la, sendo necessário o conhecimento sobre o assunto para poder respondê-la. Caso queira alguma questão comentada, deixe nos comentários.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

A participação da Igreja no Golpe Civil-Militar de 1964

 Governo Militar 

 

A participação da Igreja no Golpe Civil-Militar de 1964

          Nas décadas de 1950 e 1960, o Brasil tinha se tornado um verdadeiro barril de pólvora pronto pra explodir. Desde o fim da Ditadura do Estado Novo, nesse período conhecido como Populismo, apenas 2 presidentes cumpriram os seus mandatos integralmente. Vargas que se suicidou, agravou ainda mais a crise política, aumentando a pressão dos militares sobre o governo e intervirem quando fosse necessário.

           A Igreja Católica foi aplaudida e criticada nesse período. Por ser uma instituição grande e possuir um grande porte, até mesmo porque possui um forte presença em todo o país teve posições divergentes. Se por um lado, a elite da Igreja apoiaram os militares a tomarem o poder e angariar apoio da sociedade, anos depois abrigaram muitos movimentos e deram suporte as idéias contra o governo militar.

          O período que antecede o governo militar foi de transformação nas bases da Igreja Católica. A perda de devotos para outras dominações religiosas aumentavam ainda mais a pressão por mudanças, até porque os jovens não se identificavam com a doutrina o que se percebe na diminuição dos seminaristas. As organizações criadas pela Igreja, aproximaram-se dos jovens, operários, indígenas e movimentos sem-terra que anos depois se voltariam contra o Governo Militar e teria amplo apoio dos padres.

        A Igreja que por anos foi considerada uma instituição conservadora, elitista, afastada das camadas mais pobres da sociedade brasileira assumiu um novo viés. Com a criação das pastorais e organizações localizadas nas periferias e movimentos sociais, mudou o rumo e direção do clero, ao lançar um olhar diferenciado e perceber quais os reais problemas que a sociedade enfrentava e a participação ou não do governo em buscar soluções. A defesa da justiça social e Direitos Humanos, colocaria a Igreja em linha de frente contra o Governo Militar nas décadas seguintes após o golpe Civil-Militar, diante dos casos de prisões arbitrárias e torturas praticada pelos militares.

        As diversas notícias que eram veiculadas contra o presidente João Goulart, criou uma imagem negativa da sua pessoa e governo. Essa imagem, muitas vezes criadas pela mídia se replicava nas missas e rodas sociais, minguando ainda mais o apoio ao presidente da república. As autoridades mais influentes da Igreja deram aval a intervenção militar, culminando com o golpe civil-militar de 31 de março de 1964. As idéias difundidas que o comunismo poderia prosperar no Brasil influenciou padres e bispos a darem esse apoio ao novo governo.

Portanto com o passar do tempo a Igreja percebeu a demora dos militares em passar o poder para os civis rompendo com a ordem democrática. A insatisfação da população e que o clero estava mais próximo e presente influenciou na retirada de apoio que havia outrora. Os excessos praticados pelos membros do governo militar, ferindo os direitos humanos, mudou a posição dessa instituição religiosa passando a combater pelo fim da presença dos militares no governo. A participação da Igreja pelo fim do Governo Militar foi essencial, não só na defesa dos Direitos Humanos, mas por conseguir influenciar e difundir idéias contra o autoritarismo.

Referências:

Ditadura Militar – O papel da Igreja Católica, disponível em https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/ditadura-militar-2-o-papel-da-igreja-catolica.htm, acessado em 06 de outubro de 2020.

 

Fred Costa

 

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Questão do Enem 2017.1 comentada - Governo Militar

Enem (2017.1) Governo Militar

No período anterior ao golpe militar de 1964, os documentos episcopais indicavam para os bispos que o desenvolvimento econômico, e claramente o desenvolvimento capitalista, orientando-se no sentido da justa distribuição da riqueza, resolveria o problema da miséria rural e, consequentemente, suprimiria a possibilidade do proselitismo e da expansão comunista entre os camponeses. Foi nesse sentido que o golpe de Estado, de 31 de março de 1964, foi acolhido pela Igreja. 

(MARTINS, J. S. A política do Brasil: lúmpen e místico. São Paulo: Contexto, 2011 – adaptado)

Em que pesem s divergências no interior do clero após a instalação da ditadura civil-militar, o posicionamento mencionado no texto fundamentou-se no entendimento da hierarquia católica de que o(a):

A) luta de classes é estimulada pelo livre mercado.
B) poder oligárquico é limitado pela ação do Exército.
C) doutrina Cristã é beneficiada pelo atraso do interior.
D) espaço é dominado pelo interesse empresarial.
E) manipulação ideológica é favorecida pela privação.


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A) luta de classes é estimulada pelo livre mercado. Deveria haver as consequências do livre mercado para que ocorresse a luta de classes.
B) poder oligárquico é limitado pela ação do Exército. Não houve limitação do poder oligárquico pelo Exército, assim como esse termo estava em desuso.
C) doutrina Cristã é beneficiada pelo atraso do interior. Não se pode afirmar com clareza e sendo uma grande verdade que é na pobreza que a Doutrina Cristã seria tão beneficiada assim.
D) espaço é dominado pelo interesse empresarial. Não havia essa predominância do interesse empresarial.
E) manipulação ideológica é favorecida pela privação. A manipulação ideológica, principalmente a marxista se faz presente quando os camponeses citados no texto da questão vivem no estado de pobreza.


Se você acertou PARABÉNS! Caso contrário espero que os comentários tenham ajudado a entender um pouco mais. Essa questão se utiliza de um conceito bastante abordado na história como em outras disciplinas que é  luta de classes. Se o candidato não dominar esse assunto, poderá ter dificuldades em resolvê-la, sendo ela de nível difícil. Caso queira alguma questão comentada, deixe nos comentários.

domingo, 4 de outubro de 2020

Conheça mais a História - Por que civilizações "pré-colombianas"?

             Por que civilizações “pré-colombianas”?

       Em 1492, o navegador italiano Cristóvão Colombo, a serviço dos reis da Espanha, chegou pela primeira vez às terras do continente americano, na ilha de Guanaani (na região do Caribe), a qual denominou San Salvador.

         Para seu grande espanto, Colombo encontrou povos que habitavam o continente havia milhares de anos.

         Séculos mais tarde, quando esses povos já não existiam mais, os historiadores passaram a chamá-los de pré-colombianos, isto é, anteriores a Colombo.

          Ao estudar História, você vai encontrar muitas vezes a expressão “pré-colombianos”. Embora ela seja muito utilizada, é importante lembrar que a chegada de Colombo é apenas um marco histórico, escolhido pelos europeus, para distinguir o que aconteceu antes e depois desse fato.

Referências:

VICENTINO, Cláudio; VICENTINO, José Bruno. Projeto mosaico: história – anos finais (ensino fundamental), 6° ano. 1ª ed. São Paulo: Scipione, 2015. p. 73.

 

Fred Costa

 

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

A República investe na imigração

 República Velha – Imigrantes

 

A República investe na imigração

        No início da República, ocorreu no Brasil a chamada “grande imigração”. Nesse período muitos estrangeiros deixaram seus países de origem e vieram se estabelecer no Brasil. desde a época da proibição do tráfico de escravos africanos, em 1850, diversos grupos da elite brasileira compartilhavam a idéia de que era necessário trazer imigrantes para o Brasil, a fim de substituir a mão de obra escrava. Com a abolição da escravidão, em 1888, grande parte da elite brasileira aderiu a essa idéia.

        O governo republicano deu grande incentivo à imigração para o Brasil, investindo no subsídio (ajuda em dinheiro, fornecida pelo Estado) da viagem das famílias de imigrantes. Os principais grupos que vieram para o Brasil nesse período foram os de origem italiana, portuguesa, espanhola, alemã, japonesa, libanesa e síria. Cada um desses grupos de imigrantes possuía sua própria cultura e ao se integrarem à sociedade brasileira, deram uma grande contribuição para a diversidade cultural presente em nosso país.

      Muitos imigrantes que vieram para o Brasil durante a Primeira Republicana foram trabalhar nos cafezais. O tipo de contrato estabelecido entre imigrantes e os grandes proprietários era o colonato. De acordo com esse tipo de contrato, todos os integrantes da família, incluindo homens, mulheres e crianças, deveriam trabalhar na lavoura de café. Em troca, cada família recebia uma parte do café colhido e uma pequena remuneração.

        Os imigrantes moravam em pequenas casas localizadas nas sedes das fazendas. De acordo com o colonato, eles podiam utilizar pequenos lotes de terras, onde cultivavam cereais e legumes para sua subsistência, vendendo o excedente de sua produção. Geralmente os imigrantes eram proibidos de se retirar das fazendas em que trabalhavam sem a autorização do proprietário.

     Nas indústrias, a maioria dos operários eram imigrantes. Uma grande parte do operariado era composta por mulheres e crianças, que ganhavam um salário inferior ao que se pagava aos homens. Os operários trabalhavam de 10 a 14 horas por dia, geralmente em locais insalubres. Além da indústria, muitos integrantes passaram também a trabalhar no comércio, que crescia bastante nas cidades, principalmente naquelas onde os portos e as ferrovias estavam sendo modernizados.

       A maioria dos imigrantes que vieram para o Brasil no início da República era de origem europeia. Nessa época, estava ocorrendo um aumento populacional em toda a Europa. Muitos trabalhadores do campo estavam sem trabalho e foram para as cidades, onde também não havia empregos para todos nas fábricas e na prestação de serviços. Além disso, em muitas regiões da Europa, a população sofria com os malefícios provocados por guerras. Para os europeus pobres, o Brasil era visto como um país onde era possível conseguir trabalho e melhorar de vida.

Referências:

PELLEGRINI, Nelson; DIA, Adriano; GRINBERG, Keila. Vontade de saber história, 9° ano. 3ª ed. São Paulo: FTD, 2015.

 

Fred Costa