quinta-feira, 16 de abril de 2020

Questão do Enem 2011.1 comentada - Brasil Império (Constituição de 1824 - direito ao voto)

(Enem 2011.1)

Art. 92. São excluídos de votar nas Assembleias Paroquiais:

I. Os menores de vinte e cinco anos, nos quais não se compreendam os casados, e Oficiais Militares, que forem maiores de vinte e um anos, os Bacharéis Formados e Clérigos de Ordens Sacras.
IV. Os Religiosos, e quaisquer que vivam em Comunidade claustral.

V. Os que não tiverem de renda líquida anual cem mil réis por bens de raiz, indústria, comércio ou empregos.


(Constituição Política do Império do Brasil – 1824)

A legislação espelha os conflitos políticos e sociais do contexto histórico de sua formulação. A Constituição de 1824 regulamentou o direito de voto dos “cidadãos brasileiros” com o objetivo de garantir:

A) o fim da inspiração liberal sobre a estrutura política brasileira.
B) a ampliação do direito de voto para maioria dos brasileiros nascidos livres.
C) a concentração de poderes na região produtora de café, o Sudeste brasileiro.
D) o controle do poder político nas mãos dos grandes proprietários e comerciantes.

E) a diminuição da interferência da Igreja Católica nas decisões político-administrativas.


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A) o fim da inspiração liberal sobre a estrutura política brasileira. A constituição do Império possuía um viés liberal, apesar de algumas contradições como a manutenção da escravidão.
B) a ampliação do direito de voto para maioria dos brasileiros nascidos livres. Todos os brasileiros nascidos livres não tinham direito ao voto, já que era necessário uma renda mínima anual (voto censitário).
C) a concentração de poderes na região produtora de café, o Sudeste brasileiro. O café era um importante produto na economia brasileira, mas outras regiões poderiam votar conforme o artigo da constituição.
D) o controle do poder político nas mãos dos grandes proprietários e comerciantes. Ao definir o voto censitário, em que para votar necessitava possuir uma renda anual, a maioria parcela da população estava excluída tanto de votar como ser votada. Dessa forma o poder político ficou nas mãos daqueles detentores do capital como grandes proprietários, comerciantes entre outros.

E) a diminuição da interferência da Igreja Católica nas decisões político-administrativas. A Igreja católica apesar de não poder votar, estava ligada ao Estado assim como na Constituição esta expressa a religião Católica Apostólica Romana como oficial.

Se você acertou PARABÉNS! Caso contrário espero que os comentários tenham ajudado a entender um pouco mais. O período Brasil Império é bastante cobrado nas edições do ENEM! Espero poder ter ajudá-lo. Caso queira alguma questão comentada, deixe nos comentários.

terça-feira, 14 de abril de 2020

República Velha - Transformações econômicas na República Velha devido a 1 Guerra Mundial e Quebra da Bolsa de Nova York

República Velha


Transformações econômicas na República Velha devido a 1ª Guerra Mundial e Quebra da Bolsa de Nova York 

            Durante o século XIX, período que o Brasil era Império, inseriu-se ao capitalismo como grande exportador. Principalmente a partir da metade do século XIX. Com o advento da produção cafeeira, vendia-se para o mercado consumidor europeu e americano. Porém, era um grande importador de produtos industrializados, haja vista possuírem poucas indústrias.


Mesmo recebendo uma grande soma de investimentos e empréstimos estrangeiros, oriundos da Inglaterra, tais recursos não foram destinados à industrialização do país. Esses capitais foram investidos em melhorias para o país, como a instalação de estradas de ferro e serviços públicos como abastecimento de água, rede de esgoto e iluminação pública. Poucas pessoas foram beneficiadas com essas medidas e a maioria da população continuou vivendo em situações precárias.

Com a Proclamação da República, a produção cafeeira cada vez mais aumentava, tornando São Paulo em um grande estado produtor. A política nacional era comandada por esses agentes, donos de muitas propriedades produtoras de café, que voltavam seus interesses e ajudas econômicas para o campo. Essa forma de política fez com que essas elites agrárias permanecessem no poder por mais de 30 anos no que viria a ser chamada de “Política dos Governadores” ou “República do Café com Leite”.

Quando ocorre a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), todas as indústrias dos países europeus envolvidos se voltam para a produção de armas, munições, fardamentos e suprimentos. O Brasil deixava de importar como antes vinha ocorrendo, surgindo aí uma grande oportunidade para investir na indústria nacional. Cabe destacar a vinda dos imigrantes que trabalhariam nessas fábricas e indústrias, sem uma moderna legislação trabalhista, sofrendo com intensa jornada de trabalho, baixos salários e locais insalubres.



A sociedade industrial brasileira, que se fortaleceria na década de 1920, buscaria uma maior participação política. Movimentos como o tenentismo, se somariam aos comerciantes contra os oligarcas, detentores do poder.

A Quebra da Bolsa de Nova York (1929) trouxe uma grande crise econômica para o Brasil. o preço do café que despencava, diminuiu as exportações, levando muitos agricultores a falência. Mesmo com as medidas por Vargas, como a queima do café, fazendo subir o seu preço, mostrou a necessidade de mais investimentos na indústria nacional, iniciada muitos anos antes graças aos recursos derivados da exportação do café.

Referências:

PELLEGRINI, Nelson; DIAS, Adriana e GRINBERG, Keila. Vontade de Saber História, 9° ano. 3ª ed. São Paulo: FTD, 2015.

SCHNEEBERGER, Carlos Alberto. Manual Compacto de História: ensino fundamental. 1ª ed. São Paulo: Rideel, 2010.



Fred Costa

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Questão do Enem 2009.1 comentada - República Velha (economia)

(Enem 2009.1)

Houve momentos de profunda crise na história mundial contemporânea que representaram, para o Brasil, oportunidades de transformação no campo econômico. A Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) e a quebra da Bolsa de Nova Iorque (1929), por exemplo, levaram o Brasil a modificar suas estratégias produtivas e a contornar as dificuldades de importação de produtos que demandava dos países industrializados.

Nas três primeiras décadas do século XX, o Brasil:

A) impediu a entrada de capital estrangeiro, de modo a garantir a primazia da indústria nacional.
B) priorizou o ensino técnico, no intuito de qualificar a mão de obra nacional direcionada à indústria.
C) experimentou grandes transformações tecnológicas na indústria e mudanças compatíveis na legislação trabalhista.
D) aproveitou a conjuntura de crise para fomentar a industrialização pelo país, diminuindo as desigualdades regionais.

E) direcionou parte do capital gerado pela cafeicultura para a industrialização, aproveitando a recessão europeia e norte-americana.


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A) impediu a entrada de capital estrangeiro, de modo a garantir a primazia da indústria nacional. Não havia grande volume de investimentos estrangeiros nesse período ou que o governo impede a entrada desse capital para garantir a primazia da indústria nacional. Fato é que ao produto estrangeiro era muito mais barato, não havendo concorrência por alguma indústria brasileira.
B) priorizou o ensino técnico, no intuito de qualificar a mão de obra nacional direcionada à indústria. O ensino técnico existia mas em pequena escala não sendo sequer capaz de ser utilizado na indústria nacional que também eram poucas.
C) experimentou grandes transformações tecnológicas na indústria e mudanças compatíveis na legislação trabalhista. Não ocorreu grandes transformações tecnologicamente muito menos na indústria, haja vista que o país depende de uma economia agrária. Quanto a legislação trabalhista valorizava muito pouco os trabalhadores, sofrendo grandes transformações somente após a década de 1930.
D) aproveitou a conjuntura de crise para fomentar a industrialização pelo país, diminuindo as desigualdades regionais. Apesar de investir na industrialização após as crises citadas, não conseguiu diminuir as desigualdades regionais, ocorrendo somente no fim do século XX.

E) direcionou parte do capital gerado pela cafeicultura para a industrialização, aproveitando a recessão europeia e norte-americana. A economia do país era agrária, dependente da cafeicultura, e devido a falta de muitos bens que não eram mais disponíveis importar por causa da guerra, passou-se a investir na industrialização e maior ainda nas próximas décadas.

Se você acertou PARABÉNS! Caso contrário espero que os comentários tenham ajudado a entender um pouco mais. O tema República Velha é bastante cobrado nas edições do ENEM! Espero poder ter ajudá-lo. Caso queira alguma questão comentada, deixe nos comentários.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Primeira Guerra Mundial - Motivos que levaram a 1 Guerra Mundial

Primeira Guerra Mundial


Motivos que levaram a 1ª Guerra Mundial 


A Primeira Guerra Mundial, ocorrida em 1914 – 1918 com conflitos no território Europeu, causando a morte de aproximadamente 10 milhões de pessoas. Conhecido a época como a Grande Guerra, colocou as grandes potências do momento em campos opostos. Alguns motivos que levaram a esse conflito foram enumerados da seguinte forma:

Conflitos Imperialistas



       Com o desenvolvimento do capitalismo industrial e financeiro levaram a novas demandas: mercado consumidor e matéria-prima. Esse fato mais conhecido como neocolonialismo, em muito se distanciava do colonialismo do século XVI, devido a inexistência dos Estados Absolutistas e a economia mais liberal. Ásia, África e Oceania foram alvos de disputas das principais potências, sendo necessária a realização de uma Conferência em Berlim (1884 – 1885) até se chegar num entendimento entre os países participantes, mesmo assim não eliminou as rivalidades e tensões.

Nacionalismos

       O forte sentimento nacionalista entre as potências, despertando a idéia de superioridade das nações imperialistas. Isso aumentava ainda mais as rivalidades, fazendo com que ocorresse uma corrida armamentista. Os principais movimentos nacionalistas eram:

Pan-eslavismo: união de todos os povos eslavos, liderados pelo Império Russo;
Pangermanismo: união de todos os povos germânicos;
Nacionalismo inglês: os ingleses achavam superiores aos demais países;
Revanchismo francês: sentimento revanchista francês contra a Alemanha por ter tomado a região da Alsácia-Lorena, rica em minérios durante a guerra Franco-Prussiana (1870 – 1871).

Alianças Militares



      Com o intuito de se defenderem, as potências formaram alianças de caráter militares e econômicas. Em 1892, a Itália aderiu a aliança do Império Austro-Húngaro com o Império Alemão, formando assim as potências centrais ou Tríplice Aliança. Posteriormente com a saída da Itália, o Império Otomano passou a fazer parte.
     A conseqüência da formação da primeira aliança, França, Inglaterra e Império Russo em 1907, formaram o grupo dos Aliados da Entente ou Tríplice Entente, sendo que após a saída do Império Russo, os EUA passou a fazer parte.

Atentado de Saravejo



Percebe-se que a Europa tinha se tornado em um verdadeiro barril de pólvora. Em 28 de Junho de 1914, Francisco Ferdinando, herdeiro do trono Austro-Húngaro, foi assassinado em Saravejo, região da Bósnia-Herzegovina por um estudante nacionalista sérvio Gravilo Príncip. Acusado de participar de um grupo terrorista denominado “Mão Negra” (sociedade secreta que defendia o pan-eslavismo) e teria o apoio do governo da Sérvia, levando a uma série de acusações com o Império Austro-Húngaro até culminar em uma série de declarações de guerra.

Fred Costa

terça-feira, 31 de março de 2020

Questão do IFG 2016 comentada - 1 Guerra Mundial

(IFG 2016)

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) encontra-se entre os acontecimentos mais trágicos da história mundial. Arrastou para o conflito as potências econômicas e bélicas da Europa e se desenvolveu tanto no continente europeu como fora dele. Calcula-se em cerca de 10 milhões o número de mortos nesse conflito.


Entre os fatores que colaboraram para a eclosão desse conflito destacam-se

A) a formação de grandes conglomerados econômicos que incitaram os governos ao conflito objetivando o controle econômico do leste europeu.
B) a política americana do Big Stick, que acelerou o conflito entre os países da América Latina e a Europa Ocidental.
C) a descolonização da África e da Ásia que atiçou o interesse das alianças militares e dos grupos econômicos pelo controle dessas regiões.
D) a disputa entre França e Inglaterra pela região da Alsácia-Lorena (grande produtora de carvão mineral) que, à essa época, pertencia à Alemanha.
E) a constituição da política de alianças militares, a exemplo da Tríplice Aliança e da Entente, que colocou em choque as potências européias, assim como a disputa imperialista entre os países europeus.


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A) a formação de grandes conglomerados econômicos que incitaram os governos ao conflito objetivando o controle econômico do leste europeu. Não se pode considerar esta alternativa como um dos motivos para a 1 Guerra Mundial, visto que não houve essa incitação aos governos a ponto de declarar uma guerra.
B) a política americana do Big Stick, que acelerou o conflito entre os países da América Latina e a Europa Ocidental. Não ocorreu envolvimento direto dos países da América Latina com a 1 Guerra Mundial como a alternativa propõe, ainda mais devido ao Big Stick (grande porrete), medida tomada pelos EUA aos países do Caribe em especial.
C) a descolonização da África e da Ásia que atiçou o interesse das alianças militares e dos grupos econômicos pelo controle dessas regiões. A descolonização da África e da Ásia estão cronologicamente após a 1 Guerra Mundial, apesar que a "Colonização" da África e Ásia arrolam-se em um dos motivos para a Guerra.
D) a disputa entre França e Inglaterra pela região da Alsácia-Lorena (grande produtora de carvão mineral) que, à essa época, pertencia à Alemanha. A disputa pela Alsácia-Lorena ocorreu entre França e Alemanha, não como cita a alternativa por países aliados como França e Inglaterra.
E) a constituição da política de alianças militares, a exemplo da Tríplice Aliança e da Entente, que colocou em choque as potências européias, assim como a disputa imperialista entre os países europeus. Justamente as alianças militares formadas antes do início do conflito, motivaram para que os países participassem da "Grande Guerra" como chamada à época.

Se você acertou PARABÉNS! Caso contrário espero que os comentários tenham ajudado a entender um pouco mais. É muito fácil estudar história, porém requer muita leitura e atenção! Espero poder ter ajudá-lo. Caso queira alguma questão comentada, deixe nos comentários.

domingo, 29 de março de 2020

Governo Militar - Boicote ao Militarismo (discurso do deputado Márcio Moreira Alves).


Governo Militar

Boicote ao Militarismo

            No dia 2 de setembro de 1968, durante o pequeno expediente, momento da sessão na Câmara dos Deputados utilizados pelos deputados para fazerem breves comunicados, sobe a tribuna o deputado oposicionista do Movimento Democrático Brasileiro MDB pelo Rio de Janeiro, Márcio Moreira Alves, defendendo um "Boicote ao Militarismo".


            Em 1967 assumia indiretamente o segundo presidente do Governo Militar Costa e Silva, pertencente à ala considerada linha dura do algo comando militar. Paralelamente ao seu governo, diversos setores da sociedade protestavam, destacando-se o movimento estudantil, sendo violentamente repreendido. A primeira greve operária durante o governo militar aumentaram ainda mais os ânimos, prometendo o presidente que “toda ação tem uma reação”, ocorrendo uma intervenção nos sindicatos.

            Os ex-políticos cassados Carlos Lacerda, João Goulart e Juscelino Kubitschek criaram a Frente Ampla, buscando alternativas por mais democracia, sendo ela proibida pelo governo. Na comemoração do dia do trabalhador, o governador de São Paulo é alvo de um ataque violento por algumas pessoas. Já no Rio de Janeiro, são registradas na passeata 100 mil pessoas, contra o governo. Um carro bomba é jogado contra um quartel matando o jovem soldado Mário Kosel Filho.

            A temperatura política estava acima do normal. No dia 30 de agosto vários deputados denunciavam os excessos de violência. Três dias depois, o deputado oposicionista fazia o discurso que entraria para a história.

“Senhor presidente, Senhores deputados. Todos reconhecem, ou dizem reconhecer, que a maioria das Forças Armadas não compactua com a cúpula militarista, que perpetra violências e mantém este país sob regime de opressão. Creio haver chegado, após os acontecimentos de Brasília, o grande momento da união pela democracia. Este é também o momento do boicote. As mães brasileiras já se manifestaram. Todas as classes sociais clamam por esse repúdio à violência.

No entanto, isso não basta. É preciso que se estabeleça, sobretudo por parte das mulheres, como já começou a se estabelecer nesta Casa por parte das mulheres parlamentares da Arena, o boicote ao militarismo. Vem aí o Sete de Setembro. As cúpulas militaristas procuram explorar o sentimento profundo de patriotismo do povo e pedirão aos colégios que desfilem juntos com os algozes dos estudantes. Seria necessário que cada pai e cada mãe se compenetrassem de que a presença de seus filhos nesse desfile é um auxílio aos carrascos que os espancam e metralham nas ruas. Portanto, que cada um boicote esse desfile.

Esse boicote pode passar também às moças, aquelas que dançam com cadetes e namoram jovens oficiais. Seria preciso fazer hoje no Brasil com que as mulheres de 1968 repetissem as paulistas da Guerra dos Emboabas e recusassem a entrada à porta de sua casa aqueles que vilipendiam a Nação. Recusassem a aceitar aqueles que silenciam e, portanto, se acumpliciam.

Discordar em silêncio pouco adianta. Necessário se torna agir contra os que abusam das Forças Armadas falando e agindo em seu nome. Creio senhor presidente, que é possível resolver esta farsa, essa democratura, esse falso entendimento pelo boicote.

Enquanto não se pronunciarem os silenciosos, todo e qualquer contato entre civis e militares deve cessar, porque só assim conseguiremos fazer com que este país volte à democracia. Só assim conseguiremos fazer com que os silenciosos que não compactuam com os desmandos de seus chefes, sigam o magnífico exemplo dos 14 oficiais de Crateús que tiveram a coragem e a hombridade de publicamente se manifestarem contra um ato ilegal e arbitrário de seus superiores”.

            Segundo o próprio deputado, o discurso não passava de uma simples provocação. Porém as conseqüências foram desproporcionais principalmente as medidas tomadas pelo governo militar. Certamente foi um dos motivos para que fosse lamentavelmente decretado pelo Ato Institucional n° 5.

Fred Costa

           


terça-feira, 24 de março de 2020

Questão do Enem 2009.1 comentada - Governo Militar

(ENEM 2009.1)

“Boicote ao militarismo”, propôs o deputado federal Márcio Moreira Alves, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em 2 de setembro de 1968, conclamando o povo a reagir contra a ditadura.


O clima vinha tenso desde o ano anterior, com forte repressão ao movimento estudantil e à primeira greve operária do regime militar.

O discurso do deputado foi a ‘gota d’água’. A resposta veio no dia 13 de dezembro com a promulgação do Ato Institucional n° 5 (AI 5).

(Ditadura descarada. In: Revista de História de Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro, ano 4, n. 39, dez. 2008 – adaptado)

Considerando o contexto histórico e político descrito acima, o AI 5 significou:
A) a restauração da democracia no Brasil na década de 60.
B) o fortalecimento do regime parlamentarista brasileiro durante o ano de 1968.
C) o enfraquecimento do poder central, ao convocar eleições no ano de 1970.
D) o desrespeito à Constituição vigente e aos direitos civis do país a partir de 1968.
E) a responsabilização jurídica dos deputados por seus pronunciamentos a partir de 1968.


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A) a restauração da democracia no Brasil na década de 60. Não esta correta, pois justamente na década de 60 ocorreu o golpe civil-militar, ou seja, uma ruptura na democracia.
B) o fortalecimento do regime parlamentarista brasileiro durante o ano de 1968. Esta errada, pois continuou com o regime presidencialista, sendo que somente em 1963, anos antes, o país passou por uma breve experiência parlamentarista.
C) o enfraquecimento do poder central, ao convocar eleições no ano de 1970. O poder central ao contrário, estava fortalecido, principalmente após as medidas do AI 5.
D) o desrespeito à Constituição vigente e aos direitos civis do país a partir de 1968. A Constituição vigente não previa a supressão dos direitos civis, e o AI 5 apesar de ter força de lei, estava acima de todas as leis, sobrepondo-se da Carta Magna do país.
E) a responsabilização jurídica dos deputados por seus pronunciamentos a partir de 1968. Essa alternativa pode até parecer uma pegadinha, visto que o STF enviou para a Câmara dos deputados se licenciava o deputado para processá-lo, mas o foco do texto da questão é o AI 5 e suas consequências..


Se você acertou PARABÉNS! Caso contrário espero que os comentários tenham ajudado a entender um pouco mais. É muito fácil estudar história, porém requer muita leitura e atenção! Espero poder ter ajudá-lo.