sábado, 6 de junho de 2020

Questão do Enem 2009.3 comentada - República Velha (cultura)

Enem (2009.3) República Velha - cultura

Leia o fragmento sobre as manifestações musicais da sociedade brasileira no início da República apresentado a seguir.

O carteiro Joaquim dos Anjos não era homem de serestas e serenatas, mas gostava de violão e de modinhas. Ele mesmo tocava flauta, instrumento que já foi muito estimado, não o sendo atualmente como outrora. Acreditava-se até músico, pois compunha valsas, tangos e acompanhamentos para modinhas. Aprendera a “artinha” musical na terra do seu nascimento, nos arredores de Diamantina, e a sabia de cor e salteado; mas não saíra daí
(BARRETO, Lima. Clara dos Anjos. Aquarela do Brasil: contos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006, p. 59)

A expressão “artinha” revela:

A) a absorção de manifestações culturais influenciadas pela alta burguesia.
B) o gosto do brasileiro por músicas clássicas, cuja origem remonta ao interior do Brasil.
C) o reconhecimento da música ao lado de manifestações culturais, como serenatas e serestas.
D) o preconceito que existia em relação às manifestações musicais de origem popular.
E) o lugar de destaque que as modinhas sempre ocuparam na vida do brasileiro.

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A) a absorção de manifestações culturais influenciadas pela alta burguesia. O texto da questão não indica que a alta burguesia eram influenciados pela absorção dessas manifestações culturais.
B) o gosto do brasileiro por músicas clássicas, cuja origem remonta ao interior do Brasil. Pelo que informa o texto e a história, não havia por parte da população do interior um gosto pela música clássica.
C) o reconhecimento da música ao lado de manifestações culturais, como serenatas e serestas. A forma preconceituosa e inferiorizada do músico e da música popular regional não demonstra nenhum reconhecimento.
D) o preconceito que existia em relação às manifestações musicais de origem popular. Nota-se pela palavra no diminutivo e a ressalva de que se tratava de modinhas, um preconceito que havia em relação às músicas populares regionais. Percebe-se no texto também o quanto inferioriza o músico.
E) o lugar de destaque que as modinhas sempre ocuparam na vida do brasileiro. As modinhas se faziam mais presentes no período destacado apenas no interior do Brasil.

Se você acertou PARABÉNS! Caso contrário espero que os comentários tenham ajudado a entender um pouco mais. O nível dessa questão é fácil. O texto motivacional da questão deixa claro com relação da resposta. Caso queira alguma questão comentada, deixe nos comentários.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Os Voluntários da Pátria


Brasil Império – Guerra do Paraguai


Os Voluntários da Pátria

   Francisco Solano López, ao assumir o poder em 1862, iniciou uma política de fortalecimento militar com o objetivo de formar o Paraguai Maior. Solano pretendia uma saída direta para o mar. Para isso, terá de incorporar o atual Mato Grosso do Sul, as províncias argentinas de Entre Rios e Corrientes e a região oeste do Rio Grande do Sul. Ao aprisionar o navio Marquês de Olinda, que transportava o novo presidente da província do Mato Grosso, invadiu essa província além do Rio Grande do Sul dando início a guerra em 1865.

  Sem contar com um exército suficiente para enfrentar os paraguaios, dom Pedro II ordenou a criação de corpos militares de voluntários – os chamados Voluntários da Pátria -, oferecendo-lhes prêmios em dinheiro, terras e outras vantagens. A lei que convoca voluntários para a guerra foi a Lei de n° 3.371 de 7 de janeiro de 1865. Muitos brasileiros se alistaram por vontade própria nas tropas.


     Com o prolongamento da guerra e a diminuição do alistamento espontâneo, o governo brasileiro reforçou o recrutamento obrigatório e passou a utilizar a população escrava na formação do Exército. Muitos escravos foram alforriados para lutar na guerra e, em troca, seus proprietários receberiam uma indenização do governo brasileiro.

      Estima-se que 20 mil africanos escravizados foram alforriados, ou seja, libertados para poderem se alistar como “voluntários” no lugar de seus senhores. Além disso, muitos escravos fugitivos se alistavam nas tropas, pois havia a promessa de que, se fossem aceitos pelo Exército Brasileiro, se tornariam homens livres.

     A guerra teria fim no ano de 1870. Mesmo com a formação da Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai), o Brasil ficou só ao final do conflito até a morte do ditador Solano López. O Paraguai perdeu boa parte do seu território e o Império endividado com os custos da guerra entre outras crises que passariam a enfrentar principalmente relacionados aos escravos somados aos militares.

Referências:

PELLEGRINI, Nelson; DIA, Adriano; GRINBERG, Keila. Vontade de saber história, 7° ano. 3ª ed. São Paulo: FTD, 2015.

VICENTINO, Cláudio; VICENTINO, José Bruno. Projeto Mosaico: história – anos finais (ensino fundamental). 1ª ed. São Paulo: Scipione, 2015.

SCHNEEBERG, Carlos Alberto. Manual Compacto de História: ensino fundamental. 1ª ed. São Paulo: Rideel, 2010.


Fred Costa


quinta-feira, 4 de junho de 2020

Questão do Enem 2015.2 comentada - Guerra do Paraguai

Enem (2015.2) Guerra do Paraguai

Decreto-lei 3.509. de 12 de setembro de 1865
Art. 1° - O cidadão guarda-nacional que por si apresentar outra pessoa para o serviço do Exército por tempo de nove anos, com idoneidade regulada pelas leis militares, ficará isento não só do recrutamento, senão também do serviço da Guarda Nacional. O substituído é responsável por o que substituiu, no caso de deserção.
(Arquivo Histórico do Exército. Ordem do dia Exército, n. 455, 1865 – adaptado)

No artigo, tem-se um dos mecanismos de formação dos “Voluntários da Pátria”, encaminhados para lutar na Guerra do Paraguai. Tal prática passou a ocorrer com muita freqüência no Brasil nesse período e indica o(a):

A) forma como o Exército brasileiro se tornou o mais bem equipado da América do Sul.
B) incentivo dos grandes proprietários à participação dos seus filhos no conflito.
C) solução adotada pelo país para aumentar o contingente de escravos no conflito.
D) envio de escravos para os conflitos armados, visando sua qualificação para o trabalho.
E) fato de que muitos escravos passaram a substituir seus proprietários em troca de liberdade.

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A) forma como o Exército brasileiro se tornou o mais bem equipado da América do Sul. No texto não tem nenhum indicativo que o Exército brasileiro se tornou o mais bem equipado.
B) incentivo dos grandes proprietários à participação dos seus filhos no conflito. Não houve na história assim como o texto da questão deixa claro que os proprietários rurais incentivariam seus filhos à participarem de uma guerra.
C) solução adotada pelo país para aumentar o contingente de escravos no conflito. Os Voluntários da Pátria foi adotado pelo Brasil, mas ressalto que os escravos pertenciam a alguém. Não era de interesse do Império querer aumentar o contingente de escravos.
D) envio de escravos para os conflitos armados, visando sua qualificação para o trabalho. O envio dos escravos para o conflito não indica que haveria uma qualificação para o trabalho assim como isso inexiste em uma guerra.
E) fato de que muitos escravos passaram a substituir seus proprietários em troca de liberdade. Foi muito comum durante a Guerra do Paraguai que os filhos dos grandes proprietários rurais utilizaram-se de até mais de 1 escravos em troca dos seus filhos irem para a guerra.



Se você acertou PARABÉNS! Caso contrário espero que os comentários tenham ajudado a entender um pouco mais. O conteúdo referente a Guerra do Paraguai é bastante trabalhada em sala de aula, assim como esse tema é ressaltado nos livros didáticos e pelos professores. Nível: fácil. Caso queira alguma questão comentada, deixe nos comentários.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

O Movimento Negro Estadunidense


Movimentos Civis nos EUA


O Movimento Negro Estadunidense

  Os ativistas negros nos EUA aproveitaram o contraste entre realidade dura das relações raciais nos Estados Unidos e a imagem democrática que o governo queria projetar por causa da Guerra Fria. Lembrando que esse conflito colocava EUA e URSS em posições antagônicas, principalmente ideológicas, sendo a propaganda bastante utilizada por ambos os países. Pelo ponto de vista capitalista, a União Soviética espalhava a ditadura e autoritarismo enquanto os EUA eram à base da democracia e liberdades individuais.

     Desde o fim da escravidão nos EUA no ano de 1865, os negros lutavam por mais direitos negados após se tornarem livres. Foram alvos inclusive de diversos movimentos violentos como a Ku Klux Klan e Cavaleiros da Camélia Branca. Havia uma ferida aberta na sociedade americana que alimentava o preconceito e a exclusão social, devido  pensamento de que eram superior pela sua cor de pele.

     Em 1954, a Suprema Corte proibiu a segregação em escolas públicas e no ano seguinte foram organizados boicotes contra a segregação nos ônibus no estado do Alabama. Esse movimento teve forte impacto nos EUA, sendo que várias pessoas participavam desse movimento lutando por igualdade civil entre brancos e negros e pelo fim da discriminação racial no país. Os principais líderes foram Martin Luther King Jr. e Malcom X. No entanto, cada um deles defendia estratégias diferentes de luta.


      Martin Luther King foi um pastor da Geórgia que coordenou a luta por direitos civis por meio da desobediência civil não violenta. Orador poderoso fez um discurso marcado pela moral religiosa que combinava a retórica da liberdade com a da justiça social. No dia 28 de agosto de 1963, intitulado por “Eu tenho um sonho”, suas palavras entrariam para a história por clamar por um futuro mais justo para os negros estadunidenses.  Confira o discurso na íntegra:

    "Estou feliz por estar hoje com vocês num evento que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nosso país.
  Há cem anos, um grande americano, sob cuja simbólica sombra nos encontramos, assinou a Proclamação da Emancipação. Esse decreto fundamental foi como um grande raio de luz de esperança para milhões de escravos negros que tinham sido marcados a ferro nas chamas de uma vergonhosa injustiça. Veio como uma aurora feliz para pôr fim à longa noite de cativeiro.
    Mas, cem anos mais tarde, devemos encarar a trágica realidade de que o negro ainda não é livre. Cem anos mais tarde, a vida do negro está ainda infelizmente dilacerada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação.
      Cem anos mais tarde, o negro ainda vive numa ilha isolada de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o negro ainda definha nas margens da sociedade americana estando exilado em sua própria terra. Por isso, encontramo-nos aqui hoje para dramatizar essa terrível condição.
       De certo modo, viemos à capital do nosso país para descontar um cheque. Quando os arquitetos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam a assinar uma nota promissória da qual todo americano seria herdeiro. Essa nota foi uma promessa de que todos os homens teriam garantia aos direitos inalienáveis de "vida, liberdade e à procura de felicidade".
     É óbvio que a América de hoje ainda não pagou essa nota promissória no que concerne aos seus cidadãos de cor. Em vez de honrar esse compromisso sagrado, a América entregou ao povo negro um cheque inválido devolvido com a seguinte inscrição: "Saldo insuficiente".
    Porém recusamo-nos a acreditar que o banco da justiça abriu falência. Recusamo-nos a acreditar que não haja dinheiro suficiente nos grandes cofres de oportunidade desse país. Então viemos para descontar esse cheque, um cheque que nos dará à vista as riquezas da liberdade e a segurança da justiça.
   Viemos também para este lugar sagrado para lembrar à América da clara urgência do agora. Não é hora de se dar ao luxo de procrastinar ou de tomar o remédio tranquilizante do gradualismo. Agora é tempo de tornar reais as promessas da democracia.
      Agora é hora de sair do vale escuro e desolado da segregação para o caminho iluminado da justiça racial. Agora é hora [aplausos] de retirar a nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a sólida rocha da fraternidade. Agora é hora de transformar a justiça em realidade para todos os filhos de Deus.
    Seria fatal para a nação não levar a sério a urgência desse momento. Esse verão sufocante da insatisfação legítima do negro não passará até que chegue o revigorante outono da liberdade e igualdade. Mil novecentos e sessenta e três não é um fim, mas um começo. E aqueles que creem que o negro só precisava desabafar e que agora ficará sossegado, acordarão sobressaltados se o país voltar ao ritmo normal.
    Não haverá nem descanso nem tranquilidade na América até o negro adquirir seus direitos como cidadão. Os turbilhões da revolta continuarão a sacudir os alicerces do nosso país até que o resplandecente dia da justiça desponte.
     Há algo, porém, que devo dizer a meu povo, que se encontra no caloroso limiar que conduz ao palácio da justiça: no processo de ganhar o nosso legítimo lugar não devemos ser culpados de atos errados. Não tentemos satisfazer a sede de liberdade bebendo da taça da amargura e do ódio. Devemos sempre conduzir nossa luta no nível elevado da dignidade e disciplina.
     Não devemos deixar que o nosso protesto criativo se degenere na violência física. Repetidas vezes, teremos que nos erguer às alturas majestosas para encontrar a força física com a força da alma.
    Esta nova militância maravilhosa que engolfou a comunidade negra não nos deve levar a desconfiar de todas as pessoas brancas, pois muitos dos irmãos brancos, como se vê pela presença deles aqui, hoje, estão conscientes de que seus destinos estão ligados ao nosso destino.
  E estão conscientes de que sua liberdade está intrinsicamente ligada à nossa liberdade. Não podemos caminhar sozinhos. À medida que caminhamos, devemos assumir o compromisso de marcharmos em frente. Não podemos retroceder.
    Há quem pergunte aos defensores dos direitos civis: "Quando é que ficarão satisfeitos?" Não estaremos satisfeitos enquanto o negro for vítima dos indescritíveis horrores da brutalidade policial. Jamais poderemos estar satisfeitos enquanto os nossos corpos, cansados com as fadigas da viagem, não conseguirem ter acesso aos hotéis de beira de estrada e das cidades.
  Não poderemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade básica do negro for passar de um gueto pequeno para um maior. Não podemos estar satisfeitos enquanto nossas crianças forem destituídas de sua individualidade e privadas de sua dignidade por placas onde se lê "somente para brancos".
     Não poderemos estar satisfeitos enquanto um negro no Mississippi não puder votar e um negro em Nova Iorque achar que não há nada pelo qual valha a pena votar. Não, não, não estamos satisfeitos e só estaremos satisfeitos quando "a justiça correr como a água e a retidão como uma poderosa corrente".
     Eu sei muito bem que alguns de vocês chegaram aqui após muitas dificuldades e tribulações. Alguns de vocês acabaram de sair de pequenas celas de prisão. Alguns de vocês vieram de áreas onde a sua procura de liberdade lhes deixou marcas provocadas pelas tempestades de perseguição e pelos ventos da brutalidade policial.
  Vocês são veteranos do sofrimento criativo. Continuem a trabalhar com a fé de que um sofrimento injusto é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Luisiana, voltem para as favelas e guetos das nossas modernas cidades, sabendo que, de alguma forma, essa situação pode e será alterada. Não nos embrenhemos no vale do desespero.
  Digo-lhes hoje, meus amigos, que, apesar das dificuldades e frustrações do momento, eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.
      Eu tenho um sonho que um dia essa nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: "Consideramos essas verdades como auto-evidentes que todos os homens são criados iguais."
   Eu tenho um sonho que um dia, nas montanhas rubras da Geórgia, os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes de donos de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade.
      Eu tenho um sonho que um dia mesmo o estado do Mississippi, um estado desértico sufocado pelo calor da injustiça, e sufocado pelo calor da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça.
     Eu tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Eu tenho um sonho hoje.
    Eu tenho um sonho que um dia o estado do Alabama, com seus racistas cruéis, cujo governador cospe palavras de "interposição" e "anulação", um dia bem lá no Alabama meninos negros e meninas negras possam dar-se as mãos com meninos brancos e meninas brancas, como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje.
     Eu tenho um sonho que um dia "todos os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão niveladas; os lugares mais acidentados se tornarão planícies e os lugares tortuosos se tornarão retos e a glória do Senhor será revelada e todos os seres a verão conjuntamente".
     Essa é a nossa esperança. Essa é a fé com a qual eu regresso ao Sul. Com essa fé nós poderemos esculpir na montanha do desespero uma pedra de esperança. Com essa fé poderemos transformar as dissonantes discórdias do nosso país em uma linda sinfonia de fraternidade.
   Com essa fé poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ser presos juntos, defender a liberdade juntos, sabendo que um dia haveremos de ser livres. Esse será o dia, esse será o dia quando todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado:
      Meu país é teu, doce terra da liberdade, de ti eu canto.
     Terra onde morreram meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, que de cada lado das montanhas ressoe a liberdade!
      E se a América quiser ser uma grande nação, isso tem que se tornar realidade.
   E que a liberdade ressoe então do topo das montanhas mais prodigiosas de Nova Hampshire.
      Que a liberdade ressoe das poderosas montanhas de Nova Iorque.
     Que a liberdade ressoe das elevadas montanhas Allegheny da Pensilvânia.
      Que a liberdade ressoe dos cumes cobertos de neve das montanhas Rochosas do Colorado.
   Que a liberdade ressoe dos picos curvos da Califórnia.
    Mas não só isso; que a liberdade ressoe da montanha Stone da Geórgia.
    Que a liberdade ressoe da montanha Lookout do Tennessee.
     Que a liberdade ressoe de cada montanha e de cada pequena elevação do Mississippi. Que de cada encosta a liberdade ressoe.
      E quando isso acontecer, quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e cada lugar, de cada estado e cada cidade, seremos capazes de fazer chegar mais rápido o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar as palavras da antiga canção espiritual negra:
       Finalmente livres! Finalmente livres!
  Graças a Deus Todo Poderoso, somos livres, finalmente."

Referências:


MAGALHÃES, Gustavo Celso de; HERMETO, Miriam. História, 9° ano: Ensino Fundamental, livro 2. Belo Horizonte: Editora Educacional, 2017.

PELLEGRINI, Nelson; DIA, Adriano; GRINBERG, Keila. Vontade de saber história, 9° ano. 3ª ed. São Paulo: FTD, 2015.

VICENTINO, Cláudio; VICENTINO, José Bruno. Projeto Mosaico: história – anos finais (ensino fundamental). 1ª ed. São Paulo: Scipione, 2015.


Fred Costa


terça-feira, 2 de junho de 2020

Questão do Enem 2012.1 comentada - Movimentos civis nos EUA

Enem (2012.1) - Movimentos civis nos EUA

Nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que vos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.
 (KING Jr., M. L. Eu tenho um sonho, 28 ago. 1963. Disponível em www.palmares.gov.br. Acesso em: 30 nov. 2011 – adaptado)

O cenário vivenciado pela população negra, no sul dos Estados Unidos nos anos 1950, conduziu à mobilização social. Nessa época, surgiram reivindicações que tinham como expoente Martin Luther King e objetivavam:

A) a conquista de direitos civis para a população negra.
B) o apoio aos atos violentos patrocinados pelos negros em espaço urbano.
C) a supremacia das instituições religiosas em meio à comunidade negra sulista.
D) a incorporação dos negros no mercado de trabalho.
E) a aceitação da cultura negra como representante do modo de vida americano.

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A) a conquista de direitos civis para a população negra. Pela  história do líder Martin Luther King, sabemos que sua bandeira principal era por mais direitos civis para a população negra, acabando com o segregacionismo existe nos EUA até então
B) o apoio aos atos violentos patrocinados pelos negros em espaço urbano. No discurso de Martin Luther King, ele pregava mais direitos civis para a população de forma pacífica. O texto em questão não possui nenhum incentivo a violência.
C) a supremacia das instituições religiosas em meio à comunidade negra sulista. Não houve nenhuma presença forte religiosa a ponto de interferir nesses movimentos.
D) a incorporação dos negros no mercado de trabalho. No discurso assim como a história deixa claro a pauta de os negros dos EUA possuírem mais direitos civis.
E) a aceitação da cultura negra como representante do modo de vida americano. Havia um preconceito muito grande pela cultura negra, assim como ausência de direitos, sendo essa a maior luta de Martin Luther King por toda a sua história de vida, não tendo essa alternativa relação com o texto da questão.
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Se você acertou PARABÉNS! Caso contrário espero que os comentários tenham ajudado a entender um pouco mais. Esse assunto não é tão ressaltado assim nas aulas de história. Apesar de que muitos filmes e séries tratam do assunto, somente com bastante leitura é possível se inteirar desses assuntos. Caso queira alguma questão comentada, deixe nos comentários.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Do cercamento dos campos a maquinofatura


Revolução Industrial


Do cercamento dos campos a maquinofatura

      Entre os séculos XVI e XVIII, burgueses ingleses realizaram os chamados cercamentos das terras comunais, transformando-as em grandes propriedades privadas. Essas propriedades passaram, então, a ser utilizadas para fins comerciais, principalmente com a formação de pastagens para a criação de carneiros. Esses animais forneciam a lã, matéria-prima essencial para as indústrias têxteis inglesas.
           


     Esse tema Revolução Industrial já foi tratado nesse blog história in loco em outra ocasião (clique AQUI). A disponibilidade de mão de obra, já que os camponeses perderam as suas terras e migraram para as cidades também motivaria essa nova era industrial. Os recursos naturais disponíveis no solo inglês como o carvão mineral que alimentaria as fábricas e o ferro para construírem as máquinas. A burguesia capitalizada se utilizaria do seu dinheiro para construírem as primeiras máquinas.

      No século XVIII, os experimentos, as invenções e os aperfeiçoamentos estavam em toda parte da Inglaterra e, principalmente, no setor têxtil. Em 1735, foi inventada a lançadeira volante. A partir dessa invenção, outras se tornaram necessárias, desencadeando o processo industrial. A outra grande invenção inglesa no século XVIII foi a maquia a vapor (aperfeiçoada por James Watt). Com isso, as máquinas deixaram de ser movidas pela mão humana e passaram a ser movidas por motores a vapor. No século XIX, máquina a vapor passou a ser usada também em outros setores, como mineração, transporte (ferrovias e navegação a vapor), fundição de ferro e outras metalurgias, e novas invenções ou aperfeiçoamentos apareceram em todos os setores da economia.

      Homens mulheres e crianças trabalhavam desde a coleta da matéria-prima até as fábricas. A vida dos operários ingleses não era fácil, não só apenas pela falta de direitos e regulamentação do trabalho como ter que suportar uma longa jornada de trabalho, em locais insalubres, ganhava péssimos salários e moradias precárias. Muitos foram os movimentos que contestavam esse modo de vida e trabalho, levando a motins, greves e até atos de vandalismo contras as fábricas.


      Com o aumento da produção por causa das máquinas, os preços de muitas coisas diminuíram devido a sua fabricação em larga escala. Ocorre nesse período o aumento do consumo interno, por parte da burguesia e até dos trabalhadores. Um operário já na transição da primeira para a segunda fase da Revolução Industrial tinha mais conforto em sua casa do que um Rei durante a Idade Média. Graças a produção industrial em larga escala que a vida de milhares de pessoas melhoraram com relação não só a condições como também conforto.

Referências:

MAGALHÃES, Gustavo Celso de; HERMETO, Miriam. História, 8° ano: Ensino Fundamental, livro 1. Belo Horizonte: Editora Educacional, 2016.

PELLEGRINI, Nelson; DIA, Adriano; GRINBERG, Keila. Vontade de saber história, 8° ano. 3ª ed. São Paulo: FTD, 2015.


Fred Costa


domingo, 31 de maio de 2020

Questão do Enem 2010.2 - Revolução Industrial

Enem (2010.2) Revolução Industrial

Os cercamentos do século XVIII podem ser considerados como sínteses das transformações que levaram à consolidação do capitalismo na Inglaterra. Em primeiro lugar, porque sua especialização exigiu uma articulação fundamental com o mercado. Como se concentravam na atividade de produção de lã, a realização da renda dependeu dos mercados, de novas tecnologias de beneficiamento do produto e do emprego de novos tipos de ovelhas. Em segundo lugar, concentrou-se na inter-relação do campo com a cidade e, num primeiro momento, também se vinculou à liberação de mão de obra.
 (RODRIGUES, A. E. M. Revoluções burgueses. IN: REIS FILHO, D. A. et al (Orgs.) O Século XX, v. I. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000 – adaptado)

Outra conseqüência dos cercamentos que teria contribuído para a Revolução Industrial na Inglaterra foi o:

A) congelamento do salário mínimo.
B) enfraquecimento da burguesia industrial.
C) fortalecimento dos sindicatos proletários.
D) desmembramento das propriedades improdutivas.
E) aumento do consumo interno.

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A) congelamento do salário mínimo. Logo no início da Revolução Industrial, não havia uma organização unida defendendo o congelamento de salários ou mais direitos para os trabalhadores.
B) enfraquecimento da burguesia industrial. Após o cercamento dos campos, era o início da burguesia industrial que fortalecia cada vez mais ao invés de ficar enfraquecida.
C) fortalecimento dos sindicatos proletários. Após muitos anos de trabalho na indústria, os proletários começaram a se organizar em sindicados. Logo no início do cercamento dos campos, não havia tais organizações.
D) desmembramento das propriedades improdutivas. Muitas das propriedades principalmente improdutivas, passaram a servir como pastos. Não ocorreu esse desmembramentos das propriedades improdutivas.
E) aumento do consumo interno. Com o surgimento da Revolução Industrial, ocorreu um aumento do consumo interno, seja de lã ou de qualquer outro produto produzido. Essa foi uma das características da Revolução Industrial.


Se você acertou PARABÉNS! Caso contrário espero que os comentários tenham ajudado a entender um pouco mais. As questões do Enem são fáceis de responder quando o tema é: Revolução Industrial. Como é bastante explorado em sala de aula tanto nas disciplina de história e geografia, torna-se simples a sua resolução. Caso queira alguma questão comentada, deixe nos comentários.