sábado, 25 de julho de 2020

Revolução Constitucionalista de 1932


Era Vargas – Governo Provisório


Revolução Constitucionalista de 1932

       Getúlio Vargas chegou ao poder através de um de um golpe, expulsando a Velha Política do poder, onde cafeicultores paulistas e produtores de leite mineiros se revezaram no poder por longos anos (esse assunto já foi tratado nesse blog, para saber mais clique aqui). Esse período ficou marcado e conhecido por República do Café com leite ou Política dos Governadores.

       Após assumir o governo, Getúlio Vargas anulou a Constituição federa, já que mesmo perdendo a eleição, tomou o poder com o apoio dos militares. Com isso, teve início em São Paulo, um movimento exigindo a elaboração de uma nova Constituição para o país. Cabe ressaltar que o candidato vencedor das eleições de 1930 foi Júlio Prestes (1882-1946), representando o estado de São Paulo.


    Quando assumiu a presidência do país, lhe entregue por uma junta militar após a Revolução de 1930, Vargas iniciou um processo de centralização política, suspendendo a Constituição de 1891, fechando o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas estaduais e as Câmaras Municipais. Assim, ele passou a controlar os poderes Executivo e Legislativo, governando por meio de decretos-leis. Com exceção de Minas Gerais, todos os governadores foram substituídos por interventores federais, a maioria militares tenentistas. Para o estado de São Paulo foi nomeado interventor o Pernambucano João Alberto Lins de Barros, gerando muita insatisfação entre os paulistas. Em 1932, decretou um Novo Código Eleitoral (já foi tratado esse assunto no blog, clique aqui para conferir), que estabelecia o voto secreto e o voto feminino.

     As relações entre Governo Provisório e os políticos paulistas estavam tensas, pois estes não aceitavam os interventores indicados por Vargas. As forças oligárquicas destituídas do poder se reorganizaram, formando a Frente Única Paulista (FUP), que reunia as principais lideranças políticas do estado. Essa união se deu em torno da campanha constitucionalista, que reivindicava a elaboração de uma nova Constituição. O Partido Republicano Paulista (PRP) com o apoio do Partido Democrático (PD) somaram forças também para a nomeação de um civil paulista para ser interventor do estado.

       Várias manifestações foram realizadas pela FUP, a favor da elaboração de uma nova Constituição e contra o intervencionismo federal. Em uma delas, em maio de 1932, quatro estudantes foram mortos: Martins Miragaia, Dráusio e Camargo. As iniciais de seus nomes, MMDC, transformaram-se em símbolo da luta dos paulistas pela constituição.

   Em 9 de julho de 1932, após vários meses de agitação política e manifestações de apoio popular, teve início o movimento revoltosos. Liderados por militares como Isidoro Dias Lopes, o movimento partiu para o ataque. A indústria paulista rapidamente se adaptou à produção de armamentos, surpreendendo o Governo Provisório. Apesar de mais bem equipada do que as tropas federais, a força pública paulista não pode resistir à campanha de Vargas, que reuniu forças de todo o Brasil.


     Mais de 200 mil homens alistaram-se nas forças constitucionalistas de São Paulo, incluindo voluntários de outros estados, como Rio de Janeiro, Paraná e Pará. As mulheres participaram costurando bandeiras e uniformes para os combatentes e servindo como enfermeiras. O governo federal contou com a ajuda de batalhões de estados aliados e impôs uma série de derrotas aos constitucionalistas até a sua rendição em setembro. Após três meses de luta, os paulistas foram derrotados, porém atingiram seu principal objetivo: a convocação de eleições para uma Assembleia Constituinte.

Referências:

PELLEGRINI, Nelson; DIA, Adriano; GRINBERG, Keila. Vontade de saber história, 9° ano. 3ª ed. São Paulo: FTD, 2015.

VICENTINO, Cláudio; VICENTINO, José Bruno. Projeto Mosaico: história – anos finais (ensino fundamental). 1ª ed. São Paulo: Scipione, 2015.


Fred Costa


Nenhum comentário:

Postar um comentário